Terror na Muzema deixa 66 mil passageiros sem ônibus na Zona Oeste do Rio
- Jornal Daki
- 21 de out. de 2024
- 3 min de leitura
Devido à violência e troca de tiros entre os criminosos, que começou ainda na madrugada, sete linhas de ônibus que passam pela região tiveram alterações no trajeto
Ao menos 66 mil passageiros tiveram a rotina afetada nesta segunda-feira devido a um confronto entre traficantes do Comando Vermelho e milicianos na região do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio. Devido à violência e troca de tiros entre os criminosos, que começou ainda na madrugada, sete linhas de ônibus que passam pela região tiveram alterações no trajeto. Por conta disso, nesta manhã, mais de 190 ônibus não passaram pela Muzema, Tijuquinha e Rio das Pedras. As informações são da CBN Rio.
No sábado (19), câmeras de segurança da comunidade da Muzema registraram o momento em que dezenas de homens armados com fuzis e pistolas sobem uma rua. Testemunhas afirmam que se trata de milicianos tentando retomar o controle da região.
Tiveram desvio de rota as seguintes linhas:
878 (Tanque x Praia da Barra via Rio das Pedras)
555 (Rio das Pedras x Gávea)
557 (Rio das Pedras x Copacabana)
550 (Cidade de Deus x Gávea)
863 (Rio das Pedras x Barra da Tijuca)
343 (Jardim Oceânico x Candelária via Rio das Pedras)
862 (Rio das Pedras x Barra da Tijuca)
O fim de semana foi tenso na região da Muzema e da Tijuquinha. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram como começou essa segunda-feira. Moradores relatam nem ter conseguido dormir devido à troca de tiros entre milicianos e traficantes.
Paulo Valente, porta-voz do Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro), explica como ocorre a atuação violenta dos criminosos.
“O ônibus vem andando com os passageiros dentro, é uma operação similar a um assalto, digamos assim. Aí o ônibus é parado por bandidos fortemente armados, normalmente com fuzis, com granadas na mão, com pistolas. Eles rendem o motorista, rendem os passageiros, mandam todo mundo descer. Primeiro, eles mandam o motorista atravessar o ônibus, aí descem os passageiros, desce o motorista e eles, como diz o governador, subtraem a chave dos ônibus, ou então quebram as chaves dentro do miolo de ignição. Subtraem a chave do ônibus, subtraem o ônibus da operação, subtraem o direito de ir e vir do carioca, subtraem a nossa mobilidade, subtraem a nossa economia, subtraem até a imagem do próprio governo, que tem a obrigação de não deixar que esse tipo de coisa ocorra.”
230 motoristas estão afastados por problemas psicológicos
Além do impacto no transporte e do medo para os moradores, outro grupo muito afetado pela situação é o de trabalhadores do setor de transporte. Hoje, segundo o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, 230 motoristas estão afastados pelo INSS fazendo tratamento psicológico devido a episódios de violência.
“Os sequestros de ônibus, os ônibus incendiados, as linhas basicamente são sempre as mesmas. Então, as empresas hoje realmente têm dificuldade de contratar profissionais que queiram trabalhar nessas linhas, que aceitam trabalhar nessas linhas, e os que trabalham lá estão constantemente sob pressão. Então, é um trabalho grande que as empresas vêm desenvolvendo, de dar um apoio psicológico ao pessoal. Muitas vezes, aqueles que não têm condição de rodar são remanejados de linha para sair um pouco dessa pressão,” explica Paulo Valente.
Desde do dia 16, foram dezenove ônibus foram sequestrados e usados por criminosos na região do Itanhangá como barricada, sendo 13 na Tijuquinha e outros 6 na Muzema.
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