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São Gonçalo continua presa a governos medíocres, por Mário Lima Jr.


Litoral gonçalense/Foto: Reprodução
Litoral gonçalense/Foto: Reprodução

A corrupção não é o único mal que prejudica São Gonçalo, cidade que nunca vê realizações políticas de grande impacto social. Há décadas a cidade é controlada por gente incapaz de criar ideias de transformação profunda, sequer resumir em uma frase o futuro desejado pela população.


Cuidar dos gonçalenses foi a proposta oficial do Governo Nanci herdada sem vergonha alguma por Nelson Ruas. Continua anotada na página da Prefeitura no Facebook desde o governo anterior, que não se reelegeu. Se você perguntar a um camelô na Rua da Feira o que ele espera do governo municipal, duvido que ele responda “Quero que cuide de mim”. Ele vai dizer que gostaria de estabilizar seu negócio, talvez alugar uma loja e ter condições de sustentar seus filhos para que eles tenham um futuro melhor. São Gonçalo tem sonhos maiores do que ser mal cuidada por governos onde o nepotismo é descarado e esses sonhos precisam fazer parte, de maneira clara e objetiva, da comunicação dos poderes municipais.


Após 100 dias de gestão, o Governo Nelson publicou suas realizações dentro de cada pasta nas redes sociais. A secretaria de desenvolvimento urbano incluiu, com certo orgulho, os trabalhos de limpeza, capina e varrição no vídeo promocional, bem como algumas obras de infraestrutura. O mais triste é que isso não é desenvolvimento urbano. O conceito pode ser definido como “um conjunto de ações, estratégias e instrumentos necessários para a transformação da cidade, tendo como objetivo principal o seu desenvolvimento econômico, social e ambiental” (ArqFuturo). Integração e diálogo com outros setores para viabilizar projetos maiores, quando o que o Governo Nelson faz é tirar um pouco do mato nas regiões não dominadas pelo tráfico, onde a Prefeitura ainda tem coragem de entrar.


Sobre mobilidade urbana, mostrou o quanto está punindo motoristas infratores, rebocando carros e se esforçando para melhorar o trânsito. Sabemos que são problemas crônicos que já deveriam ter sido resolvidos. O governo não merece medalha por isso e só destacou o assunto porque não foi capaz de fazer mais. Obras inovadoras, como a construção de ciclovias e bicicletários, não foram lembradas.


O vídeo da secretaria de gestão integrada e projetos especiais, coordenada pelo filho do prefeito, cita a necessidade de implementação de projetos para melhor qualidade de vida e geração de empregos. Menciona inclusive a ousada, mas necessária, remodelagem dos bairros. Sabe quantos projetos o vídeo cita como em andamento? Nenhum. Zero. Cem dias não são suficientes para revolucionar São Gonçalo, mas houve tempo para montar a documentação e o cronograma de alguma coisa. Nada de concreto foi apresentado.


A Educação, outra pasta vital, alega ter trazido de volta duzentos alunos em algumas escolas e ter reformado unidades de ensino. Além disso, não há sonho de futuro. Nada sobre disciplinas modernas, tão necessárias nos dias atuais, como programação e robótica. O problema não é falta de dinheiro, há plataformas de ensino gratuitas. O problema também não é a pandemia de Covid. Itaboraí, por exemplo, acabou de aprovar a implantação da sua moeda social e de um banco popular. O problema em São Gonçalo é o tradicional buraco onde governos enfiam a cabeça e abandonam qualquer ambição de mudar a vida do povo.


Mário Lima Jr. é escritor.




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