Dos galinhas verdes aos papagaios verde-amarelo
- Jornal Daki
- 16 de nov. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de dez. de 2022
Por Helcio Albano

O Brasil tem alguns fantasmas. Um de mais longa data é o do comunismo. O primeiro grande movimento no país a surgir como seu antagonista foi o integralismo nos anos 1930. O Partido Integralista, liderado por Plinio Salgado, francamente inspirado no nazifascismo ítalo-germânico, chegou a ter 2 milhões de filiados. A maior parte em São Paulo e no Sul do país.
Os integralistas emulavam em verde-mar os uniformes negros do esquadrão nazista Schutzstaffel (SS) com sua indefectível suástica no braço, insígnia abrasileirada pela letra grega Sigma (Σ). Por causa de seu supremacismo tabajara, entraram para a História como os "galinhas verdes", fragorosamente derrotados pela Frente Única Antifascista (FUA) na batalha campal da Praça da Sé, em 1934.
O episódio sangrento, que tombou o camarada Décio de Oliveira e ficou eternizado como a "Revoada dos Galinhas Verdes", foi fundamental pra barrar o avanço da extrema-direita, fenômeno então inédito no Brasil. Três anos depois totalmente liquidada por Getúlio Vargas com a implantação do Estado Novo sob a áurea do Trabalhismo.
Em 1964, o comunismo ressurge como fantasma. Dessa vez como pretexto para o golpe de Estado dado pelos militares. Que só largariam a rapadura após muita tortura e mortes 21 anos depois.
E eis que, agora, uma malta de lunáticos desocupados ocupa as ruas e enchem o nosso saco com medo de assombração. Sorte nossa que apenas a chuva faz revoar de praças e quartéis a turba de papagaios verde-amarelo a palrar:
- MITO! MITO!
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O jovem senhor da foto fantasiado de patriota é o ex-vereador, ex-vice prefeito de São Gonçalo e candidato derrotado em 2022 à Câmara Federal, Ricardo Pericar (PL).
O cidadão de bem acredita que as eleições foram fraudadas, embora não apresente nenhuma prova. E, por causa dessa fraude, está confiante que o exército "faça a sua parte". Isto é, dê um golpe de Estado "em nome da liberdade".
Esse é o nível.
A democracia tem algum ônus. O que Pericar prega, não é o ônus da discordância, é crime puro e simples que delinquentes chamam de liberdade de expressão.
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Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.
