Bancos têm lucro recorde e o brasileiro se arrebenta na pandemia
- Jornal Daki
- 18 de fev. de 2022
- 2 min de leitura
E tem otário que acha que tá tudo certo: é a meritocracia do banqueiro
Por Rodrigo Melo

Os quatro maiores bancos do país, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander lucraram, juntos, R$ 81,6 bilhões em 2021, pior ano da pandemia onde mais de 424 mil pessoas morreram, oficialmente de Covid-19, o desemprego atingiu mais de 15 milhões de pessoas e a fome assoumbrou mais da metade da população.
Segundo a empresa Economatica, que acompanha os resultados contábeis dessas instituições financeiras há 15 anos, o lucro somado dos quatro grandes bancos cresceu 32,5% de 2020 para 2021. Já de novembro de 2020 a novembro de 2021, a renda do trabalhador caiu 11,4%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Como explica isso?
Grosso modo, os bancos colocaram no início da pandemia mais dinheiro para emprestar com previsão de inadimplência alto, o que incorre negativamente nos lucros. Porém, a inadimplência não atingiu o nível esperado, e a diferença entrou para a contabilidade de rendimento/lucro.
Outra coisa que explica também, são os juros estratosféricos em cima dos empréstimos, que tornam o dinheiro caro fazendo os bancos lucrarem bem mais acima da média do sistema bancário internacional.
Os juros da taxa oficial (Selic) é de 10,75% ao ano, mas os bancos cobram 10 vezes isso, chegando a mais de 170% no cartão e cheque especial, por exemplo. É a agiotagem institucionalizada.
“Taxas de juros muito altas têm um efeito de depressão sobre a economia”, observou a professora e economista Simone Deos (Unicamp) ao Brasil de Fato, indicando que essas altas taxas enriquecem os bancos, mas prejudicam o desenvolvimento econômico do país como um todo.
“As pessoas podem pensar que, se os bancos têm resultados extraordinários, isso é bom para a economia. Mas a verdade é que não”, finaliza Deos.
Com informações de Brasil de Fato.
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